Em defesa da vida

O seguimento a Jesus Cristo é um exercício de liberdade e compromisso

Quando o jovem rico pergunta a Jesus qual a condição para o seu seguimento, o Mestre se posiciona com firmeza: “Vai, vende tudo que tens e segue-me” (Mc 10,21). O rapaz já havia se declarado seguidor dos mandamentos, era um bom moço. Jesus queria mais. Ele não suportou as exigências do seguimento e voltou atrás. No capítulo 6 do Evangelho de João, vemos que muitos falavam de palavras duras, ditas por Jesus. Ele não enfraqueceu as palavras mas, ao contrário, pediu que os ouvintes usassem da sua liberdade para escolher. Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor, só tu tens palavras de vida eterna”. E permaneceu. Muitos desistiram e voltaram atrás.

Jesus Cristo não “joga pra torcida”. Ele se posiciona com clareza, pede escolhas claras e deixa que todos usem da sua liberdade. O seguimento de Jesus é exigente e nos pede definições, posicionamentos. Uma desses posicionamentos claros e firmes é a defesa da vida. “Da concepção ao fim natural.” Aí, não existem meio termos. É vida. O nascituro é vida; a criança abandonada é vida; o adolescente infrator é vida; o traficante assassino é vida; o político corrupto é vida; o homossexual é vida; o portador de deficiência é vida; o idoso é vida; o doente terminal é vida. Por ser vida merece ser defendido, amado, cuidado.

Por seguirmos Jesus, aderirmos a Ele de forma livre (podermos a qualquer momento voltar atrás, como o jovem de Marcos. Só não podemos escolher Jesus pela metade), somos contra tudo que agente à vida, inclusive o aborto. Aí, não existem argumentos! O argumento é Jesus Cristo. Sua pessoa, sua palavra e seu projeto. Se é vida, conforme nós acreditamos, não podemos tergiversar. “Mas o Estado é laico”. Sim. O Estado é laico e as pessoas de fé não são cidadãos de 2ª categoria, que não tenham o direito de defender sua visão de mundo a partir de fé professada. Não estamos impondo uma posição fora do jogo democrático. Estamos exercendo o nosso direito de defender uma sociedade que alimente valores que acreditamos. Como tantos outros que defendemos: a não redução da idade penal, a justiça social e os valores democráticos.... “Mas a mãe tem o direito de decidir sobre o seu corpo”. Não estamos falando do corpo da mãe. Estamos falando da vida de outra pessoa. Não é a mãe. Já não é a mãe. Esse argumento pode justificar toda forma de eugenia. A mãe, assim, poderia matar fetos macrocéfalos, deficientes visuais, com predisposição genética para várias doenças. Esse argumento carrega uma perversidade sem limites.

Enfim, os argumentos pró aborto, todos eles, barram em Jesus Cristo. Sim: é uma perspectiva de fé. Cremos em Jesus que preferiu morrer a matar. Se desejamos segui-lo nenhum argumento científico, ideológico, político ou econômico poderá nos fazer concordar a eliminação da vida da concepção ao fim natural.

Padre Manoel de Oliveira Filho - Mané Assistente Eclesiástico do Movimento Escalada.


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