A minha vivência: Quaresma, Paixão e Ressureição

A Quaresma, como boa parte dos alpinistas já sabe, é o tempo litúrgico que antecede a Semana Santa. Nessa época do ano, somos chamados a exercitar três dos pilares cristãos: a caridade, o jejum e a oração. É, portanto, o tempo que nos prepara para receber o Cristo ressuscitado na Páscoa.

Nós cristão somos convidados a refletir sobre nosso comportamento e a exercitarmos um autodomínio, um autocontrole, das nossas ações, tendo sempre como inspiração o exemplo dos 40 dias que Jesus passou em tentação no deserto.

A Quaresma é o tempo em que temos a oportunidade de nos tornarmos libertos dos nossos maus hábitos, abandonando toda forma de mediocridade e hipocrisia, e retornar ao Senhor; de dar um fim ao que nos afasta de Deus e de relembrar que “as coisas do mundo” estão a nosso serviço e não o inverso.

E como viver bem a Quaresma?

Bom, não existe UM jeito certo de viver a Quaresma. Cada indivíduo, meditando sobre os seus hábitos, sobre os seus costumes, deve adequar a sua rotina para afastar-se das tentações do mundo e aproximar-se de Deus.

Não é uma tarefa fácil! A mudança de comportamento é um processo que precisa de continuidade. Por vezes, um mau costume está tão enraizado em nós que o período quaresmal não é suficiente para vencê-lo, mas é possível (e necessário) dar um primeiro passo.

Ciente disso, eu – membro do Projeto de Oração e a quem foi incumbida a tarefa de escrever este texto – resolvi, durante o período quaresmal, dar início a uma prática comum a muitos: rezar o Santo Terço.

Curiosamente, este alpinista nunca teve o hábito de rezar o Terço. Não é que eu não saiba rezá-lo ou que o considere uma oração “mecânica”, repetitiva. Longe disso! Sempre admirei quem reza o Terço! E, além disso, sempre tive em casa o exemplo de uma mãe que o reza todos os dias, mais de uma vez.

A verdade é que sempre dei a velha desculpa da “correria” do dia-a-dia para só rezar o Terço ocasionalmente. Por isso, na tentativa de corrigir essa falha e refletindo sobre o que poderia fazer durante a Quaresma para me aproximar mais de Deus, decidi incluir o Santo Terço na minha rotina.

Confesso a você, caro alpinista, que nos primeiros dias foi BEEEM difícil! MUITO difícil mesmo!

As obrigações do cotidiano fizeram com que eu me dedicasse ao Terço apenas instantes antes de dormir e incluí-lo nessa realidade foi uma tarefa bastante desafiadora! Primeiro, porque em três dos cinco primeiros dias da Quaresma a falta de hábito, simplesmente, me fez esquecer de rezá-lo ... e, segundo, porque percebi que rezar antes de dormir diminuiria o tempo de uma das minhas atividades preferidas que é exatamente ... dormir!

Bom, embora eu tenha esbarrado nessas dificuldades iniciais, consegui me policiar e, nos dias seguintes, rezar. E, rezando, consegui contemplar melhor a vida de Jesus através da meditação dos mistérios do terço e perceber detalhes do Evangelho que uma leitura eventual não possibilitaria. Sem dúvidas, essa atenção minuciosa só foi possível por causa da concentração e da introspecção que consegui ao rezar diariamente o Terço.

A dedicação habitual ao Terço também me fez perceber os benefícios que essa oração é capaz de proporcionar. O Terço – e aqui vai uma visão extremamente pessoal, subjetiva – traz paz, acalma o coração e distancia a ansiedade.

Rezar o Terço, apesar de ter diminuído o meu tempo de sono, aumentou MUITO a qualidade dele! Durante a Quaresma, fui dormir quase sempre em um estado de espírito de uma pessoa livre de conflitos e inquietações (Dá para acreditar?!). E, de dia, esse estado de espírito significou mais tranquilidade para lidar com os problemas que continuaram surgindo.

Sim, caro alpinista, os problemas seguiram aparecendo! Não é porque passei a rezar todos os dias que os contratempos sumiriam da minha vida. Rezar não faz os problemas sumirem! Os sofrimentos e as angústias são inevitáveis e fazem parte da vida de todo mundo. Rezar te aproxima de Deus e te dá forças; te ajuda a entender que tudo que se passa nessa vida tem um motivo, uma razão; te ajuda a compreender e absorver ensinamentos das situações adversas; e a perceber que muitas vezes temos a mania de superestimar um problema, de fazer uma “tempestade num copo d’água” ao lidar com ele.

O período de reflexão e introspecção da Quaresma me fez dar o primeiro passo no caminho da oração diária. Vacilei no começo, não há como negar, mas a recompensa do percurso valeu a pena! Rezar o Terço me aproximou de Deus, reequilibrou a minha Cruz do Ser Pessoa e me preparou para viver melhor a Semana Santa. Hoje, terminada a Quaresma, tenho a certeza que tomei uma decisão acertada ao incluí-lo na minha rotina.

Peu, 25ª Escalada Master em Salvador – LUZ

E você, alpinista? Como viveu a Quaresma? Quais hábitos ainda precisa mudar? O que fez ou faz para se aproximar de Deus?

(PS: não sabe como rezar o Terço? Tem vontade de iniciar esse hábito? Colocamos abaixo algumas instruções. Se tiver alguma dúvida, pode entrar em contato conosco. Teremos prazer em ajudá-lo (a)!

Como rezar o terço:

  1. Começamos invocando a Santíssima Trindade: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém;

  2. Dizemos as nossas intenções e agradecimentos;

  3. Professamos o Credo dos Apóstolos;

  4. Rezamos 1 Pai-Nosso, 3 Ave-Marias e 1 Glória;

  5. Em seguida, começamos a contemplar os mistérios do Terço. Após cada mistério, rezamos 1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias, 1 Glória e 1 Oração Jaculatória;

  6. Ao final do quinto mistério, rezamos uma oração de agradecimento, seguida por 1 Salve-Rainha.

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