Entrevista: Jorginho



Movimento Escalada - Fale um pouco sobre a sua história no Movimento: Como entrou no Movimento? Quando fez encontro? Fez o encontro de que paróquia? Já coordenou o Movimento? Quando? Quando se tornou Conselheiro?

Jorginho - Eu fiz a 13a Escalada Master - Sinais, em 2006, (obrigado) convidado por minha então namorada - e hoje esposa - Beta. Apesar de ter nascido em família católica e ter estudado no Colégio Marista, admito que na época eu me enquadrava no estereótipo do católico ABC (aniversário, batizado e casamento); me dizia católico mas conhecia apenas superficialmente a fé que professava e tinha pouca proximidade ou intimidade com Deus. Mas, como Beta queria muito fazer o encontro, eu aceitei ir - a contragosto - à primeira reunião preparatória e "ver no que dava". Saí de lá prometendo que não voltaria pra segunda preparatória e, principalmente, nunca mais dançaria "Canção para o amigo que vai" na minha vida. Chegou o dia da segunda reunião e lá estava eu - novamente a contragosto - mas fazendo a vontade da amada. A reunião chegou ao fim e reiterei minha promessa de não mais voltar. Chegou a terceira preparatória e, pasmem: eu estava novamente presente. O que se repetiu na quarta. E na saída do ônibus. E no sábado do encontro, no domingo, na chegada - com direito a dançar "Canção para o amigo que vai" no palco - e todos os dias desde então, com o sim cotidiano aos chamados de Deus. Nesses 12 anos de alpinista tive a graça de poder colocar meus dons à serviço de diversas maneiras. Entre elas, fui chamado por Deus para coordenar o Movimento no biênio 2013 e 2014, o que fiz com o máximo de amor e dedicação junto com meus grande amigos e parceiros Diogo e Cesinha, respectivamente. Após deixar a coordenação, no início de 2015, me tornei Conselheiro e desde então acompanho o crescimento e expansão do Movimento não apenas em números mas, principalmente, em profundidade e espiritualidade.


MV - Qual a importância do Movimento Escalada em sua vida, depois de tantos anos de dedicação a ele?

Jorginho - Pode soar piegas, mas eu não consigo imaginar como seria minha vida sem o Escalada. Foi aqui que a base da minha fé, família, amigos e relacionamento com Deus foram solidificados. Foi aqui que aprendi que Jesus é o meu melhor amigo e que o mundo ainda está cheio de pessoas boas, apesar de quererem nos convencer do contrário. Foi aqui que aprendi a colocar meus dons a serviço de Deus e verdadeiramente descer da montanha pra melhor servir.

MV - Escolha um ou dois (no máximo) momentos marcantes na sua vida dentro do Escalada. Nos conte com detalhes esta experiência.

Jorginho - Só dois? Vai ser difícil, mas vamos lá... Vou deixar de fora o meu encontro, que já relatei acima - esse não conta, né?! Bom, a primeira vez que trabalhei num Encontro do Escalada foi muito marcante principalmente pelos desafios que precisei superar. Foi em 2009, na 62a Escalada da Pituba, e Beta também estava na equipe. Pra começar, tínhamos feito a Master e não conhecíamos as sutis diferenças do encontro "regular". Encontramos uma equipe excelente e super entrosada... entre eles. Conhecíamos apenas os coordenadores: Dan Vaz, que tinha trabalhado no nosso encontro, e Beta Arouca, que foi minha colega na escola. Faltando 15 dias pro encontro, um dos folclores precisou sair da equipe. Como eu sabia tocar violão, ofereci ajuda aos coordenadores e me desafiei a aprender as quase 60 músicas no pouco tempo que faltava. É verdade que não consegui aprender todas, mas no dia do encontro a maioria estava na ponta da língua - e dos dedos. Além disso, naquela época, o Zonal Pituba estava passando por dificuldades com baixa frequência e uma das responsabilidades da equipe era dar mais força e ânimo para o Zonal se reerguer. Apesar do número de cursistas não ter sido baixo - 27 fizeram o encontro - nunca senti um chamado tão forte para estar presente todos os domingos nas reuniões de pós. E tudo valeu a pena. O Zonal Pituba começou a se fortalecer e uma boa parte dos grandes amigos que o Escalada me deu estava presente nesse encontro, inclusive alguns padrinhos do meu casamento. Um segundo momento marcante foi a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013. Foram 5 dias intensos e cheios de emoção, que me fizeram ver que a nossa Igreja é viva e que há milhões de jovens como nós espalhados por todo o mundo que falam a mesma língua: Jesus Cristo. Fomos com um grupo de alpinistas liderados por Pe. Mané e encontramos vários outros alpinistas por lá. Até um mini Encontro Anual aconteceu, com alpinistas de diversas cidades embaixo de uma marquise perto da igreja da Candelária. Simples e profundo. Como um bônus, a JMJ ainda nos proporcionou ver o Papa Francisco de pertinho e presenciar a praia de Copacabana tomada por mais de 3 milhões de pessoas na missa de envio. Inacreditável e inesquecível, obra de Deus.

MV - O que mudou da sua visão a respeito do Escalada de quando você era jovem pra hoje?

Jorginho - Não entendi a pergunta, ainda sou jovem!!! Só estou na juventude há mais tempo do que quem está chegando agora... :) Acho que o que mais mudou foi o tamanho. Quando fiz o encontro em 2006, em Salvador, existiam apenas os zonais Master, Vitória e Pituba. Hoje, além desses, temos a Paralela e a Master foi dividida entre Vitória e Pituba, totalizando 5 zonais. Ganhamos a Escaladinha Kids, Teens e a Missionária. A creche e o posto de saúde são nossa segunda casa. Sem contar as implantações em Lauro de Freitas, Aracaju e Conceição do Almeida. Também vejo hoje um engajamento maior dos alpinistas nas ações do Movimento - que não são poucas - e um grande número de lideranças surgindo. Os projetos estão mais fortes e ativos. Estamos começando a colher os frutos plantados durante todos esses anos.

MV - Quais são os desafios que você acha que o Escalada tem que conquistar no futuro? Quais os próximos passos a serem dados?


Jorginho - Crescer sem perder a identidade. Precisamos expandir o Movimento com eficiência e sabedoria, enquanto deixamos espaço pro Espírito Santo agir. O novo estatuto, que vem sendo discutido há bastante tempo, é uma excelente ferramenta para superar esse desafio. Muitas outras estão disponíveis e tenho total confiança que o Conselho das Cidades saberá utilizá-las sabiamente. Espero ver o Escalada crescer nacionalmente e internacionalmente! Estaremos atendendo um pedido do próprio Papa Francisco, dado na Missa de Envio da JMJ 2013, no Rio de Janeiro: Ide, sem medo, para servir.

MV - Escreva em uma frase, apenas uma frase, o que é o Escalada para você.

Jorginho - O Escalada são as pedras do caminho que me leva até Jesus.

MV - Você já indicou o Escalada pra alguém? O que você falaria ou já falou pra convencer alguém a fazer um encontro do Escalada?

Jorginho - Já perdi as contas de quantas pessoas já indiquei para fazer o encontro. Sabe quando acabamos de assistir um filme maravilhoso e saímos do cinema querendo que todo mundo também assista? O sentimento é tipo esse quando vivemos uma experiência tão marcante e indescritível como um encontro do Escalada, só que exponencialmente maior!! Queremos que todos a nossa volta também descubram como é bom ter o Cristo amigo ao seu lado, em todos os momentos da vida. Mas temos que ter sabedoria pra perceber que o tempo de Deus não é igual ao nosso. Eu passei 5 anos tentando convencer minha irmã a fazer o encontro. Todo ano, ao lembrá-la que as inscrições estavam chegando, recebia um não. Nesse tempo, diversos primos e amigos aceitaram meu convite. Mas não minha irmã. Minha única irmã. Em 2012, 6 anos após o meu encontro, desisti de convidá-la. Me dei por vencido e entreguei a Deus. E ela fez a 20a Escalada Master, no mesmo ano. Mais uma vez, Deus me ensinou que devemos ser os semeadores, espalhando e regando as sementes. O tempo da colheita é Ele quem diz.


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