Entrevista: Carlinha



Movimento Escalada - Fale um pouco sobre a sua história no Movimento: Como entrou no Movimento? Quando fez encontro? Fez o encontro de que paróquia? Já coordenou o Movimento? Quando? Quando se tornou Conselheiro?

Carlinha - Fiz encontro em 1991, a 27ª Escalada de Salvador - DIET (Deus Integrado em Todos), na Pituba. Havia feito, cinco anos antes, um encontro de crianças na Paróquia do Stiep, onde morava. Tia Ana (mãe de Minhoca, Paulo) foi a coordenadora de minha sala e era amiga de meus pais, do Encontro de Casais com Cristo (ECC). Ela ligou para minha casa um dia e me ofereceu uma ficha do Escalada; uma prima de Minhoca tinha desistido de fazer e ela lembrou de mim. Tia Ana foi a minha "madrinha de Escalada" e agradeço a Deus muito, muito, por ela ter lembrado de mim, gratidão eterna a ela. Na época, conseguir uma ficha pra fazer o Escalada era um sufoco! Eu não conhecia muito o Movimento, mas já tinha ouvido falar. Na mesma hora que ela me ligou, aceitei. Foi um "sim" sem muito tempo para pensar (rss), espontâneo. E a reunião preparatória começava na mesma semana. Fui. Sozinha, sem conhecer ninguém. Não tinha uma colega de escola. Fiz todos os meus amigos lá. Foi uma experiência inesquecível, um marco. Conheci o rosto jovem da Igreja, o Jesus Cristo do dia a dia, a Maria Mãe, mulher, pessoa, o Ser Pessoa, um sentido 'diferente' para o meu "ser e estar no mundo". Nunca mais larguei. Minha vida se mistura ao Movimento (só não esperava casar com um alpinista. Juro!). Fiz parte do Arauto, o projeto que logo me identifiquei e cujo site (Arauto Digital) foi objeto do meu projeto de graduação em Jornalismo, com o apoio de amigos do próprio projeto, como Leopoldo, Huruba e Hebert. A lista online do movimento foi criada a partir daí. Fiz parte do antigo Grupo de Apoio (atual GC) e em 2000 (olha, não sou muito boa nestas referências tempo X ano. Rsss), fui convidada para coordenar o Movimento junto com Juninho. No ano seguinte, com Guga Checcucci. Tempos depois, o Conselho foi criado e faço parte desde então.

MV - Qual a importância do Movimento Escalada em sua vida, depois de tantos anos de dedicação a ele?


Carlinha - Falei um pouco acima sobre isso, mas foi o Escalada que me apresentou a Pessoa de Jesus Cristo, todos os seus ensinamentos e a fé católica, que hoje são os guias de minha vida, o que dá sentido a tudo. Foi minha primeira experiência do Amor de Deus. Meu primeiro encontro “consciente” (se é que se pode dizer isso) com Jesus, algo que meu coração ansiava e eu não sabia. O Escalada me deu uma nova família, emprego, amigos para sempre. Tudo e até hoje possibilita estas experiências do Amor, seja numa reunião de pós (como a última que fui há poucos dias do Zonal Master, com irmã Violeta), num encontro feito pela 20ª vez, nos olhares dos alpinistas, no Escaladinha, nas ações de solidariedade, enfim.

MV - Escolha um ou dois (no máximo) momentos marcantes na sua vida dentro do Escalada. Nos conte com detalhes esta experiência.


Carlinha - Não esqueço da experiência missionária. Estive na equipe da I Escalada Missionária de Itabuna, foi a segunda vez que trabalhei num encontro. É uma experiência única, o deslocar-se, o participar de um começo, ser recebida por pessoas que nem nos conhecem de braços e portas abertas. Ver tudo se solidificando, devagarzinho. Estar fora de nosso “ambiente”, é como sair de seu mundinho e atirar-se para outro, desconhecido, na vontade de dividir o que você acredita. A primeira vez que coordenei um encontro, junto com Jupira (me persegue! RSS), foi numa missionária: a 3ª de Itabuna. Estive em Petrolina, Jacobina e Aracaju ainda. Outro momento que não esqueço foi da última reunião de meu grupo de pós (na época, de cada encontro, saía um grupo), na casa de Albertão (ele era um dos coordenadores): eu e ele, de mãos dadas, rezando o Pai Nosso e o Ave Maria. Naquele momento descobri o quão importante é persistir, prosseguir, o “feijão com arroz”, a oração diária. Foi como uma resposta para tudo o que tinha vivido em meu encontro e para o que estava por vir.

MV - O que mudou da sua visão a respeito do Escalada de quando você era jovem pra hoje?

Carlinha - Não mudou. Acho o encontro importante, riquíssimo, uma experiência do Amor imperdível, um despertar na vida do jovem. Acho que o Movimento cresceu, ganhou dimensões, ocupou um espaço necessário e importante. E que sua essência permanece. Participei da Master ano passado depois de 7 anos sem trabalhar e vi que o “espírito é o mesmo”. Talvez antes eu não tivesse essa visão, porque já se passaram 25 anos. Acho que é mais difícil hoje garantir uma integração de propósitos; dá mais trabalho, sem dúvidas. Mas acho que continua sendo o Escalada que vivi, que vivo, voltado para o jovem e formando lideranças cristãs para o mundo.

MV - Quais são os desafios que você acha que o Escalada tem que conquistar no futuro? Quais os próximos passos a serem dados?

Carlinha - Seguir em frente, ampliar fronteiras, garantir essa integração que falei acima e preservar sua memória.

MV - Escreva em uma frase, apenas uma frase, o que é o Escalada para você.

Carlinha - Vi essa frase quando subia a escada para uma missão em alguma cidade que não lembro (acho que era um Aprofundamento): “Há diversidade de dons, mas o espírito é o mesmo”. E, claro, tem a famosa frase de Casé: “Nós só somos amigos porque Cristo morreu e ressuscitou por nós”.

MV - Você já indicou o Escalada pra alguém? O que você falaria ou já falou pra convencer alguém a fazer um encontro do Escalada?

Carlinha - Com certeza. Depois que fiz, meus pais fizeram e trabalharam várias vezes. Minhas duas irmãs, minha amigas Helga, Grasiela, Fabiane. Meus sobrinhos Yago e Lucas. Estes conhecem o que significa o Escalada para mim pelo meu testemunho mesmo e eu diria (como disse a eles): “vale a pena”.

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