Economia a serviço da vida ou vidas à disposição da economia?
por Projeto Arauto
Um bilhão e 20 milhões de pessoas no mundo passam fome, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, cerca de 16% da população mundial, que sofre com o desenvolvimento desequilibrado desde os tempos da colônia.
O reforço da riqueza da classe dominante e o uso desenfreado do dinheiro trouxeram conseqüências não somente para as pessoas, mas também ao meio ambiente com desmatamentos, queimadas e emissões de gases estufas, produzidos pelas grandes indústrias.
Pensando em frear e debater o consumismo e a distribuição de renda desigual, a campanha da fraternidade de 2010 uniu-se pela terceira vez com as Igrejas Cristãs para trabalharem o tema Economia e Vida. A terceira campanha da fraternidade ecumênica tem o objetivo de colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão.
O tema da campanha foi baseado no Evangelho de São Mateus “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24), e foi escolhido por conta da crise econômica mundial que afetou inclusive países desenvolvidos. Segundo o texto base da CF 2010, a vida não pode estar à disposição da economia, ela deve estar à disposição da dignidade humana,
baseando-se no bem comum e em oportunidades iguais.
A campanha também trabalha temas como o consumismo e as agressões ao meio ambiente.
O novo caminho é a participação popular, com os movimentos sociais, ONGs, igrejas, sindicatos e organizações civis atuando na fiscalização dos bens humanos. Segundo a CF as igrejas cristãs são os grandes agentes de transformação, responsáveis por educar e criar espaços de transformação social.
As campanhas da fraternidade não são somente reflexivas, os debates realizados pelos temas visam também à ação. Ela tem o objetivo de suscitar na população o desafio de mudar a sociedade, fazendo com que cada pessoa contribua ativamente na promoção deste tema. Portanto, cada um deve assumir o seu papel na sociedade contribuindo para que o desenfreio do consumismo não abale a estrutura econômica mundial, possibilitando que gerações futuras cresçam em um ambiente justo e igualitário, em que todos possam usufruir dos bens humanos.
Só na Bahia são um milhão e 271 mil indigentes. Segundo a Pesquisa Riqueza e Pobreza no Brasil Metropolitano, indigente é aquele que recebe renda igual ou inferior a um quarto do salário mínimo. Como mudar esta realidade? Essa é hora de mudar. Você só vai fazer alguma coisa quando a fome, as queimadas e o desmatamento atingir você? A economia está nas suas mãos, você trabalha, e com dinheiro que você ganha, você paga os impostos, escolas e consome produtos produzidos por grandes indústrias. Por isso, lembre-se que ao consumir este dinheiro você está movimentando a economia, portanto, pense no que você vai fazer para mudar o desenvolvimento do mundo. A economia deve garantir a sustentabilidade e qualidade de vida para todos.
Hino da Campanha da Fraternidade 2010
