Pe. Dé
Com sorriso largo e jeito tímido, o amazonense de 36 anos, Frei Dermeval Soares Reis Filho, ou simplesmente frei Dé, entrou para família Escalada em 2001, quando fez a 8ª Master – Panelão. Trabalhou na 10ª Master – Religare e na 13ª Master – Sinais, além de ter ministrado palestras em alguns aprofundamentos. Ele toca, canta, dança, encena e compõe. É um homem de muitos talentos, cheio de fé e jeito de menino, que lida com os jovens de maneira especial. Tudo isso, fez com que os alpinistas se identificassem com ele. Frei Dé tornou-se religioso da Ordem Mercedária em agosto de 2000 e padre em dezembro do mesmo ano. Ele mora numa casa de formação de noviços na Pituba. Gosta do que faz e sempre que pode coloca como prioridade o trabalho com os jovens. Ele atribui sua afinidade com esse grupo específico ao fato dele ter vindo de uma Pastoral da Juventude. “Gosto do desafio de estar com os jovens. Isso promove uma troca e ainda renova o sacerdócio, o ser pessoa, a vocação.” Apesar de não conseguir lembrar quando descobriu sua vocação, atribuída por ele ao seu engajamento paroquial e à vida em comunidade, ele lembra que na infância vivida em Manaus já tinha o desejo de se tornar padre. Dé foi uma criança curiosa, queria saber sobre a vida dos santos, seus desenhos eram sempre relacionados a temas católicos, tinha o hábito de ir à missa aos domingos com os pais. Sua madrinha, religiosa atuante, foi muito responsável por inserir os valores cristãos na sua vida. Aos 11 anos, mudou-se com sua família para o Distrito Federal, passou um tempo afastado da Igreja, voltando a se engajar aos 17 anos, quando fez o encontro Segue-me, em Brasília.
Quando chegou em Salvador em 2001, Dé passou a celebrar a missa das 19h30 na Pituba, que conta com a participação do Escalada e do OPA – Oração pela Arte, por isso, sentiu a necessidade de estar mais perto dos movimentos. Cris Lima, atual coordenadora, entregou-lhe uma ficha do encontro e no mesmo ano, ele tornou-se um alpinista. Entretanto, a sintonia com o Movimento começou bem antes, quando ainda em Brasília participou do grupo Escalada, mesmo sem ter feito o encontro. “Quando tive a oportunidade aqui, foi como se estivesse cumprindo uma promessa feita muito tempo atrás”, completa o frei.
Dé confessa que “Não houve muita surpresa porque conhecia o Escalada de Brasília, mas foi uma experiência interessante. Estava no meio dos alpinistas como mais um e por isso, pude chegar próximo, partilhar experiências e, de certa forma, experimentar a comunhão e o espírito de fraternidade que se fez com eles”. A maioria dos alpinistas só descobriu que ele era padre no meio do encontro. Segundo ele, isso ajudou na aproximação, pois o fato dele ser padre poderia criar barreiras e distanciá-lo, coisa que ele não queria que acontecesse.
Em relação à Igreja, Dé acredita que a maior barreira entre ela e os jovens é a linguagem. “A Igreja sempre fez uma opção pelos jovens, mas falar na língua deles, descer à sua realidade talvez seja a dificuldade”, explica o padre que completa dizendo que a Igreja tem se colocado muito próxima da juventude e prova disso é a existência de movimentos como o Escalada. “O que falta é o jovem se descobrir Igreja e trazer para a Igreja a sua alegria e sua força”, finaliza o frei. |
